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sábado, 1 de março de 2014

Meu artigo para o Congresso P&D Design 2014



Em setembro vai rolar o P&D Design 2014.


Estou escrevendo dois artigos para o evento. Sobre um eu já falei aqui. 


Hoje é o dia de apresentar, orgulhosamente, o resumo do segundo (que estou escrevendo junto com o Luciano Lobato).


O título é bem sugestivo:


DESIGN E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO: INTERSECÇÕES E POSSIBILIDADES


Resumo: A pesquisa & desenvolvimento em Design vem ganhando volume. Cada vez mais se fala em Design Research, práticas user-centered e evidence-based. Contudo trabalhos pioneiros da área vindos das Ciências Comportamentais são ignorados tanto por designers quanto por psicólogos e outros estudiosos do comportamento. Visando sanar esse quadro,  presente artigo apresentará uma revisão histórica e conceitual das contribuições dos Analistas do Comportamento na área da pesquisa pura e aplicada ao Design. Tal perspectiva evidencia a existência de uma abordagem comportamental à Pesquisa em Design. Tal abordagem por vezes foi chamada de “programação de contingências”,  “Engenharia comportamental” e “Design de Cultura”. Este artigo conclui propondo o aprimoramento de uma metodologia  analítico-comportamental atual para fundamentar práticas em Pesquisa em Design.


Palavras-chave: Design; Pesquisa Aplicada; Evidence Based; User Centered Design; Análise do Comportamento



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Avaliando a Experiência do Usuário




Estou lendo uma dissertação de mestrado do Design da UFSC. Eis a capa na foto aí do lado.

Título: "Avaliação de Experiência do Usuário durante o desenvolvimento de um aplicativo social móvel". É de 2013, e do Gabriel Cordeiro Cardoso. Por sinal, o Gabriel foi orientando da minha atual orientadora: Berenice Gonçalves.

O texto começa com uma explicação do que é Experiência do Usuário, ou User eXperience, UX. Uma breve revisão histórica mostra como esse termo foi inventado por Donald Norman no início da década de 1990, para em seguida ser apropriado por tanta gente, de tantas diferentes maneiras, que se tornou um tanto vazio e banalizado (Segundo o próprio Norman).

Me chamou a atenção como a maioria dos autores enfatiza emoções e estados psicológicos como fundamentais para entender a UX. Apenas um autor pesquisado, Jesse Garrett, enfatiza o lado tecnológico e o Design da interface. A maioria, contudo, fala mesmo é de aspectos ditos subjetivos, como Hassenzahl, Shedroff, Cooper  e até mesmo a ABNT (no CEE 126, de 2010, onde diz que UX é fundamentalmente "satisfação psicológica").

Um autor que ainda predomina é o próprio inventor do termo UX: Donald Norman. Este defende que a UX deve ser avaliada em três momentos no tempo:

a) no primeiro bater de olhos no produto (que gerará um nível "visceral" de reação, instintivo. Se preferir um termo analítico comportamental, reflexos incondicionados e condicionados, relacionados a emoções que geram um instantâneo "gostei" ou "não gostei"). Há formas de avaliar isso que envolvem questionários e entrevistas (relatos de segunda mão), mas registrar expressões faciais e até sinais fisiológicos também são um bom caminho, bem mais confiável, para entender reações emocionais do usuário. OBS: Em termos analítico-comportamentais, isso se trata de determinantes filogenéticos pois envolvem respostas ligadas fundamentalmente a anatomia e fisiologia do usuário, como por exemplo o reconhecimento de affordances.

b) em seguida, o produto é usado e a pessoa tem um nível "comportamental" de avaliação. Ela entende que ele é útil ou não, fácil ou não, eficaz ou não, etc. A melhor forma de avaliar isso é através de indiadores de desempenho do usuário. Por exemplo, sua curva de aprendizagem no uso do produto, ou sinais objetivos de se o usuário atingiu seus objetivos ou não. OBS: Em termos analítico-comportamentais, isso se trata de determinantes ontogenéticos.

c) para fechar, depois de considerar a primeira batida de olhos (nível visceral) o uso (nível comportamental), a pessoa faz associações do produto com sua história de vida, com elementos de sua cultura, seu meio social, e cria narrativas na qual valoriza o produto. Nesse momento, chamado por Norman de "nível reflexivo" de avaliação, a pessoa cria significados para o produto, gerando uma UX de mais longa duração em sua memória. A melhor forma de avaliar esse nível de reação é qualitativa e interpretativa, e envolve decifrar os valores simbólicos atribuídos à UX. OBS: Em termos analítico-comportamentais, isso se trata de determinantes sociogenéticos.


Avaliar a UX envolve 3 momentos da experiência: primeiro contato;
uso propriamente dito; e criação de narrativas geradoras de significados.

Avaliar a UX, portanto, necessariamente envolve esses 3 níveis, ou momentos, de análise. E cada um deles pede instrumentos e procedimentos próprios.

Voltando à dissertação do Gabriel,
ele avaliou um app de celular primeiramente com escalas e questionários para registrar a reação visceral dos usuários antes de usarem o produto. Em seguida, avaliou a usabilidade e o atendimento das necessidades do usuário (nível comportamental). Para fechar com um painel semântico afim de obter dados do significado do app no plano reflexivo.


Para quem ficou interessado, eis aqui o link da dissertação do Gabriel.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Entendendo os procedimentos de pesquisa com usuários




Precisamos pesquisar
o usuário. E agora???

Com o Design Centrado do Usuário e iniciativas afins cada vez mais os designers estão falando de comportamento humano. E, especialmente, da necessidade de entendê-lo para melhor projetar. De fato, mais e mais precisarão pesquisar o usuário a nível comportamental. Contudo esse profissionais não foram preparados para isso na graduação. E agora, designers?

Em parte essa imensa lacuna de repertório explica o surgimento de pós-graduações onde designers basicamente aprendem como trazer o "lado Humanas" para seus trabalhos. 

Acontece que eu fiz o caminho inverso: comecei na Psicologia, estudando bastante como analisar o comportamento das pessoas, e depois fui buscar aplicações disso no Design (quem diria, achei várias). Por causa dessa experiência vejo que os designers precisam se familiarizar com certos procedimentos de pesquisa com pessoas. 


Teste laboratorial de usabilidade

Sendo bem sucinto, defendo que há 2 grandes procedimentos de pesquisa dos quais derivam todos os outros:  a observação e a experimentação. E não esses dois à toa. Trata-se dos dois grandes pilares da pesquisa em Ciências Naturais como um todo (E como sou da turma da Análise Comportamental sou um entusiasta das Ciências Naturais).


OBS: Grosso modo, um experimento também é uma observação, só que em condições controladas e com intervenções planejadas. Logo, tudo gira em torno de ser um bom observador.

Ocorre que observação e experimentação podem ser vistas como extremos de uma mesma escala:



O motivo dessa organização está no fato de que observar é o procedimento mais fácil e barato de todos, e experimentação, o mais caro e desafiador de realizar. Por outro lado, observações costumam trazer dados mais dúbios, correlações por vezes mal explicadas. Ao passo que experimentações geram mensurações precisas, evidências de causa-efeito. Resultados de experimentos são de um modo geral mais confiáveis, gozando de mais status científico.

Logo:




Por causa desse estado de coisas a observação, e os mais próximos desse polo,  costuma ser o procedimento mais usado. Até banalizado, por vezes ("Ah, eu sei, vou dar uma olhada só e tá bom"). Mas não despreze o poder de uma observação bem feita: ela rende muita informação pertinente! Nem pense que experimentação é para poucos eleitos em laboratórios de ponta. Dependendo de algumas circunstâncias dá sim para realizar experimentos até de baixo custo (Falarei disso outro dia aqui no blog).

Pois bem, anteriormente eu disse que todos os procedimentos de pesquisa com usuário se encontram em algum ponto na escala entre Observação e Experimentação.

Quais seriam eles? Como se organizam na escala?


Eis uma forma de responder a essas questões:


Tem muita coisa que faltou ali na lista de procedimentos de pesquisa. E cada um dos itens que está ali em cima em azul renderia muito pano pra manga pra ser apresentado, explicado, discutido. Mas penso que o diagrama ali em cima ajuda a visualizar do que estou falando em termos de distribuição dos procedimentos de pesquisa no eixo Observação-Experimentação. Me refiro ao fato de que por mais que os procedimentos de pesquisa com pessoas sejam variados, eles obedecem uma progressão de precisão que coincide com o crescimento do custo, controle de condições e dificuldade de aplicação.

Em outros posts voltarei a falar de procedimentos de pesquisa. E mais que isso: como tratar os dados obtidos através deles e apresentar na forma de informações pertinentes a um projeto.